Jogos Inesquecíveis

1 jan

O dia do maior baile do Mané

Estádio jornalista Mário Filho, o Maracanã, sábado, 15 de dezembro de 1962, uma tarde sol e calor abrasador, público oficial, 158.126 pagantes, fora os bicões, que os havia mais de dez, vinte mil, muitos incrivelmente trepados até em cima das majestosas arquibancadas do maior templo do futebol mundial, como se fosse uma árvore uma frondosa mangueira.

Sorrisos escancarados à espreita do clássico, da grande final do campeonato, entre os dois maiores rivais da Cidade Maravilhosa, de um lado, o alvinegro dos craques e idolos inigualáveis, a frente o maior deles, o Monstro da camisa 7, de mangas compridas, por superstição seguida à risca pelo roupeiro Aloísio, fiel às leis e mandingas do lendário cartola, Carlito Rocha; do outro, o poderoso rubro-negro da Gávea, comandado fora do campo pelo durão Flávio Costa, e dentro, por ele assim escalado, pelo garoto rebelde, Gerson, aliás, escalado com a missão de parar a qualquer custo e preço, o maior ponta direita da história.

Missão impossível, claro, até mesmo para um craque como o Canhotinha de Ouro. E motivo de sobra para que ele Gerson jurasse que nunca mais iria obedecer uma ordem daquele tipo, ordem abusiva, e que, tão logo pudesse, trocaria a Gávea por General Severiano. Onde, sonhava Gerson, ao invés de marcá-lo, passaria a jogar a seu lado. Desejo aliás realizado tão logo começou o ano de 1963, mas isso já é outra história.

A entrada dos times foi impressionante, Maracanã rigorosamente dividido, meio a meio, entre os de camisa preto e branco e os de vermelho e preto. Mal foi dada a saída e o show do camisa sete alvinegro começou, repetindo agora no seu palco preferido, tudo o que fizera quatro anos antes na Suécia e naquele mesmo ano de 62 no Chile, demolindo soivéticos, galeses, franceses, suecos, espanhois, ingleses, chilenos, tchecos com seus dribles ao mesmo tempo angelicais e diabólicos, seus gols. Tudo em cima de um atordoado e estático Jordan, mais um joão na vida dele, e de um Gerson absolutamente embasbacado com o show de Mané, com os gritos em êxtase da torcida alvinegra e o silêncio sepulcral da rubro-negra. Todos, testemunhas de que acabavam de ver o que jamais haviam visto antes e nem jamais veriam depois:o maior baile da história, prestes a completar 60 anos, do Maracanã.o mairo baile de Mané Garrincha. Botafogo 3 a 0, Botafogo gloriosamente bicampeão carioca.

Botafogo: Manga, Paulistinha, Jadir, Nilton Santos e Rildo; Ayrton e Edson; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Técnico: Marinho Rodrigues.

Flamengo: Fernando, Joubert, Vanderlei, Décio e Jordan; Carlinhos e Nelsinho; Espanhol, Henrique, Dida e Gerson. Técnico: Flávio Costa.

Gols: Garrincha (2) e Vanderlei (contra, mas que pelas regras de hoje, também seria de Mané, que fez das pernas do zagueiro rubro-negro uma espécie de tabela de bola de bilhar).

Expulsões: Paulistinha e Dida (na época não havia ainda cartão vermelho, nem amarelo)

Árbitro: Armando Marques

José Antonio Gerheim

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