Saiba quem é Ulisses Tapajós Neto

12 mar

Revista EXAME – Por Silvana Mautone  | 29.03.2006

Leia o perfil do presidente da Masa, fabricante de peças plásticas com sede em Manaus

Filho de um garçom e de uma funcionária pública, o amazonense Ulisses Tapajós Neto, presidente da Masa, desde cedo enfrentou condições adversas. Ao terminar o colegial, nos anos 60, com a ajuda do pai conseguiu uma carona em um avião C-47 da Força Aérea Brasileira (FAB) para vir a São Paulo, onde queria estudar engenharia, curso que na época ainda não havia em Manaus. Tinha 17 anos e o valor de três salários mínimos no bolso, dinheiro que o pai havia lhe dado. Depois de dois dias de viagem – a aeronave fez escala em várias cidades do país –, ao chegar ao destino final, Ulisses não teve coragem de sair do aeroporto. “A cidade era grande demais para mim”, diz. Um major da aeronáutica então o aconselhou a ir para Curitiba, que, além de menor, já era um importante centro universitário. Ulisses conta que pegou um ônibus da viação Cometa e seguiu rumo ao Paraná. Chegando lá, acabou hospedado na pensão dos próprios motoristas da viação. Arranjou emprego, no ano seguinte entrou na faculdade de engenharia química e depois de seis anos sem ver os pais voltou a Manaus. “Naquela época, uma carta levava até dois meses para chegar. Meu plano sempre foi voltar. Queria ajudar meus pais a ter uma vida melhor”, diz.

Ulisses, hoje com 58 anos, foi o primeiro amazonense a conduzir uma empresa no Pólo Industrial de Manaus. E ainda hoje é o único. Ele define a sua gestão como uma “espiral da felicidade”. “Investimos nos colaboradores, que geram melhores resultados e elevam a rentabilidade. O lucro é aplicado em novas tecnologias, que também melhoram a qualidade de vida das pessoas, deixando-as mais satisfeitas”, diz. Ele já traçou metas para a empresa até 2009, quando espera que ela já tenha se tornado a melhor unidade do grupo Flextronics no mundo – ele assumiu o controle da Masa em outubro do ano passado. Para 2008, o objetivo é ficar entre as finalistas do Plano Nacional da Qualidade (PNQ).

Ulisses afirma que não estará mais na Masa quando isso ocorrer – há 27 anos na companhia, ele definiu que se aposenta em dezembro de 2007. Todos os funcionários também já sabem disso. Mas vários duvidam que ele conseguirá se desligar. Ulisses diz que parado não vai ficar. Seu plano é montar uma ONG voltada para a capacitação de pessoas sem emprego. “Minha especialidade é criar saudáveis desafios”, diz. Se sua saída representa uma ameaça para a empresa? Carlos Alberto da Silva Franco, diretor de conhecimento do Instituto Brasileiro de Intra-Empreendedorismo (IBIE), diz que não. “Ulisses implantou um modelo de gestão que já está maduro o suficiente para continuar sem ele.”

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