HISTÓRIA DO PARQUE AMAZONENSE

22 mar

O Campo do Parque

O campo do Parque Amazonense ficava numa vasta área do bairro da Vila Municipal, hoje Adrianópolis, com entrada principal pela rua conheci­da por Belém. Mais tarde parte dessa área foi tomada por invasores e transformada em bairro, nascendo aí o Bêco do Macêdo. O terreno perten­cia a um cidadão português e depois foi doado à Maçonaria, que voltou a por em funcionamento um Hipódromo e um campo de futebol.

A revista Esporte Em Revista, edição número 7, do dia 10 de outubro de 1967, que circulava quando o futebol amazonense estava em plena evo­lução, publica uma declaração de Walter Rayol, antigo cronista, conhecido por Zé do Parque e político atuante, sobre o Parque Amazonense. O Parque começou a existir nos idos de 1906. Foi no Govêrno do então coronel Antônio Constantino Nery, sendo Prefeito Municipal de Manaus o coronel Adolpho.

Guilherme de M. Lisboa que com uma Lei da Intendência autorizou fosse concedida a um cidadão uma área de terras no antigo bairro do Mocó, para ali ser construído um Hipódromo. O Hipódromo foi instalado e funcionou normalmente até 1912 quando a crise da borracha motivou o seu fechamento. Voltou afuncionar a sua pista de corrida somente em 1918, graças aos esforços de Alfredo Costa, Lazar Klein, Manuel Marques, o lusitano Maximino e ou­tros proprietários de coudelarias. Já nessa época havia, simultaneamente, partidas de futebol e corridas de cavalos porque o Dispensário Maçônico, que recebera o antigo Hipódromo, por doação, alifizera um estádio para a prática do esporte-rei, cuja inauguração verificou-se em 1918, quando aqui esteve pela primeira vez, um combinado cearense. A partir daí, no Parque foram disputados os campeonatos de futebol amazonense. Em seguida, também foi construído o campo do Luso, nos Bilhares onde eram disp utados jogos oficiais, de acordo com os interesses da FADA e dos clubes.
No Parque, também conhecido como Prado, havia corrida de cavalos com regularidade aos domingos e boa organização, pelo menos até o final da década de trinta. Dentre os proprietários de cavalos de corridas, chega­mos a conhecer Lazar Klein, Coronel Bento Brasil, Marques Paraguaio, pai dos ex-jogadores de futebol, do Olympico, Adair, Ademar, Moacir e Almir.
A largada das corridas era em frente à arquibancada do estádio e tinha um percurso que tomava toda a área do hoje bairro N.S. das Graças, antigo Beco do Macêdo. Nesses dias o Parque recebia a fina flor da sociedade amazonense. Na arquibancada, havia um local para dança, camarotes e pon­tos reservados para as apostas das corridas.
Em 1918 já se jogava futebol no Parque. O jornal A Gazeta Esportiva registrava um clássico Rio Negro e Nacional, no dia 13 .de julho desse ano, com lxi no marcador. Um jogo em beneficio ao Dispensário Maçônico, arbitrado pelo Dr. Benévolo Luz. Era o tempo em que o timè rionegrino tinha, dentre outros, Pantaleão, Carapanã, Raul Sá, Anísio, Castrinho e Carneiro.

Parque com a FADA

Em 1946, o Parque foi arrendado à Federação Amazonense de Des­portos Atléticos (FADA), então sob a direção do Dr. Menandro Tapajós, presidente; Walter Rayol, vice; Mansueto Queirós, secretário; tenente Waldir Martins, tesoureiro e Antônio Dias dos Santos, adjunto. Na época era Interventor Federal, o dr. Júlio da Silva Nery, que auxiliou financeiramente a entidade dos desportos, e esta, com a ajuda do comércio, mandou murar todo o estádio, construindo as gerais de concreto, tendo estas recebido o nome de Júlio Nery.

Parque com o América

O América futebol Clube, dos irmãos Teixeira (Artur e Amadeu), tor­nou-se arrendatário do Parque a partir da década de 60 e assim ficou até pouco depois da inauguração do estádio Vivaldo Lima. Pagava mensalmen­te certa importância à Maçonaria pelo locação do imóvel mas, com a aber­tura do novo estádio, os jogos foram saindo do Parque e, sem poder cum­prir seus compromissos por falta de recursos, o jeito foi entregá-lo ao legítimo proprietário.
Na administração do América, quando Flaviano Limongi estava à fren­te da FAF, fundada em 1966, o Parque recebeu vários melhoramentos, vi­sando a dar maior comodidade ao torcedor. A entidade custeou a constru­ção de duas pequenas gerais de madeira atrás das metas, aumentando um pouco mais o espaço para os torcedores. Renovou por completo a velha arquibancada, também aumentando a sua capacidade.
No dia 21 de maio de 1967, quando jogavam Rio Negro e São Raimundo, pelo campeonato de 1966, pouco faltava para a conclusão dos trabalhos que estavam sendo feitos na arquibancada. O público pagante era de 5.881. Ao término do jogo, quando os torcedores procuravam o caminho para deixar esse setor, algumas tábuas que serviam como uma espécie de passarela, deslizaram e muita gente caiu de uma altura de aproximadamente três metros. Houve grande tumulto, várias pessoas feridas e um cidadão saiu com ferimentos graves. Foi internado e assistido sob às expensas da enti­dade, mas infelizmente veio a falecer quase um mês depois devido a outras complicações.

Parque vendido

O Parque foi vendido em 1976 a uma firma da Zona Franca de Manaus, a Florida, do comerciante Francisco (Dinor) Castelo Branco que alguns anos depois a repassou uma empresa de construção. Correu que a idéia inicial era a de construir um conjunto habitacional no local. Logo que o novo proprietário tomou posse do imóvel, de imediato foi demolida a ar­quibancada de estrutura de ferro, coberta com telhas de barro de fabrica­ção portuguesa e a geral de cimento, cujo material foi todo amontoado no campo de jogo.

Cabine destruída

A cabine da crônica esportiva, que tinha a denominação de Pavilhão Gilberto Mestrinho, construído no seu primeiro governo em área que não pertencia ao Parque, também foi demolida sem que qualquer membro da ACLEA tomasse uma decisão para reaver o prejuízo causado ao seu patrimônio.
A área do Parque foi vendida por Um milhão e Trezentos Mil Cruzei­ros. O Prefeito Jorge Teixeira ainda tentou devolver ao nosso futebol o velho estádio.

Iluminação

No dia 3 de outubro de 1942, foram inaugurados os refletores do Parque para jogos noturnos. Nesse dia foi disputado um amistoso entre Fast e Olympico, em beneficio da Cruz Vermelha Brasileira. O ato foi presidido pelo Interventor Alvaro Maia, Prefeito Antóvila Mourão Vieira, Coronel Gentil Barbato e pelo Dr. Manoel Barbuda. O Fast promovia a estréia de alguns jogadores vindos do futebol paraense, como Luizinho, Zé Luiz, Fedegundes e Chinelo. Venceu a partida por 8 a 1. Um dos estreantes, Zé Luiz, fez quatro gols. O Fast formou com Raul, Adauto e Canhão; Valdemir, Gioia e Chinelo; Cabral, Fedegundes, Zé Luiz, Luizinho e Paulo Batata.

O último jogo

O último jogo disputado oficialmente no campo do Parque, valeu pelo campeonato de profissionais, no dia 8 de julho de 1973. Nesse dia o torce­dor jamais acreditaria que Rio Negro e Rodoviária estivessem fechando os portões de ferro do velho campo da então rua Belém, também chamado de campo da linha circular, por ser aquela artéria um dos itinerários dos bondes de duas lanças que faziam a linha Circular-Cachoeirinha.
O Rio Negro venceu por 3 a 1 e o atacante Osmai; que viera do futebol paraense, foi o autor dos três tentos, todos no primeiro tempo. Sudaco, que havia jogado no Fluminense do Rio e no futebol paraense, marcou o tento da Rodoviária no segundo tempo.
RIO NEGRO : Clóvis, Pedro Hamiltom, Casemiro, Biluca e Nonato, Denilson ejorge Cuíca; Rolinha (Orange,), Osmar (Almir,), Zé C’láudio e Sardo
RODOVIÁRIA: Iane, Mesquita, Joaquim, Valte Costa e Téo; Tadeu «Jarlito) e Sudaco; Zezé (Laércio),Wiison Lopes, Roberto e Julião.
A renda foi de Cr$ 21.286,00, para um público pagante de 4.459. Zé Cláudio, do Rio Negro e Julião, da Rodoviária, foram os últimos jogadores profissionais expulsos no campo do Parque Amazonense.

FONTE: Site do Jornal “A Crítica”, de Manaus – AM

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