Com um gol irregular, Botafogo vence o Fluminense e fica a uma vitória do título

11 abr

Explorando as bolas aéreas, Alvinegro novamente elimina o Tricolor do Carioca e pode sagrar-se campeão no próximo fim de semana

Thiago Lavinas Rio de Janeiro

A tática é velha na prancheta de Joel Santana e conhecida dos adversários. Mas parece dar certo nos momentos decisivos. Com um time guerreiro, mas limitado com a bola nos pés, o Botafogo procura explorar a força aérea de Loco Abreu. E foi assim que o Alvinegro surpreendeu os favoritos e venceu a Taça Guanabara. Foi assim, também, que a equipe venceu, neste sábado, o Fluminense por 3 a 2, no Maracanã, e se classificou para a final da Taça Rio. O xodó Caio, novamente, fez o gol decisivo. O lance, porém, foi irregular. Herrera, que estava impedido, fez o corta-luz para a bola passar entre as pernas, atrapalhando o goleiro Rafael (assista aos gols do Clássico Vovô no vídeo ao lado).

Com o resultado, o Botafogo está a uma vitória do título carioca. Como venceu o primeiro turno, o Alvinegro conquista o campeonato se ganhar também o segundo. Agora, o clube aguarda o duelo entre Flamengo e Vasco, neste domingo, para conhecer o rival na decisão do returno. A última vez que uma equipe conquistou as Taças Guanabara e Rio e, consequentemente, foi campeã estadual sem a necessidade da final foi em 1998, ano em que o Vasco levantou o troféu.

O Botafogo saiu na frente, o Fluminense virou para 2 a 1 e o Alvinegro, no segundo tempo, fez 3 a 2. Loco Abreu, Fahel e Caio marcaram os gols do Botafogo, todos após cruzamentos para a área. Fred, duas vezes, marcou para o Fluminense – o artilheiro tricolor ainda perdeu um pênalti no primeiro tempo. A partida foi emocionante. Pena que apenas 23.445 pessoas estiveram no Maracanã para acompanhar o clássico.

A equipe alvinegra mostra também ser um algoz do Fluminense nos últimos anos. Nos confrontos recentes em jogos decisivos no Estadual, o Alvinegro leva grande vantagem. Na semifinal da Taça GB de 2008, o Botafogo venceu por 2 a 0; na decisão da Taça Rio do mesmo ano, outra vitória: 1 a 0. Ano passado, na semifinal do primeiro turno, novo placar de 1 a 0 a favor do Glorioso.

Fred vai de vilão a herói em poucos minutos

Antes de a bola rolar, o árbitro Péricles Bassols Cortez determinou um minuto de silêncio em respeito às vítimas no Rio de Janeiro por causa das chuvas que castigaram o estado no início da semana. Segundo o Corpo de Bombeiros, até o início da noite deste sábado, foram encontrados 221 mortos,

Sem Lucio Flavio, que operou o dedo mínimo da mão esquerda, o técnico Joel Santana optou por uma escalação mais defensiva. O Botafogo dependia, mais do que nunca, da força aérea do uruguaio Loco Abreu. Arma previsível, mas que parece ser difícil de anular. Aos quatro minutos, Cássio fez falta em cima de Herrera pela direita. Túlio Souza foi para a cobrança, mas antes de cruzar deu uma paradinha e enganou a defesa tricolor, que se adiantou e saiu da marcação.

O zagueiro Gum, no entanto, ficou parado na área dando condição a cinco jogadores alvinegros. Loco Abreu, na primeira trave, desviou de cabeça sem chance para Rafael. A bola entrou no canto direito. Botafogo 1 a 0. Foi o 12º gol do uruguaio com a camisa do Botafogo, o sexto de cabeça. Na comemoração, todos os jogadores que estavam no banco de reservas foram abraçar Túlio Souza, que apontava para o técnico Joel Santana, mostrando que a jogada ensaiada tinha dado certo.

André Durão /GLOBOESPORTE.COM

Observados por Joel (de preto, ao fundo), jogadores titulares e reservas comemoram o gol de Loco Abreu.

O jogo era bastante movimentado, e o Fluminense teve a chance de empatar em seguida. Aos oito minutos, Conca deu primoroso toque para Júlio César, que rolou rasteiro para o meio da área. O zagueiro Fábio Ferreira foi afastar o perigo, mas a bola bateu involuntariamente na mão do companheiro Leandro Guerreiro. O árbitro Péricles Bassols Cortez interpretou que o volante mudou a trajetória da bola e marcou pênalti. De nada adiantaram as reclamações dos alvinegros.

Fred, que retornava ao time depois de três semanas se recuperando de um estiramento na coxa direita, pegou a bola. Logo o atacante, que não teve um bom rendimento nos treinos durante a semana. Na quinta-feira, o ídolo tricolor bateu 14 pênaltis e só converteu oito. Na sexta, foram quatro cobranças e só uma no fundo da rede. Há quem defenda que “treino é treino, jogo é jogo”. Mas parece que pênalti não é tão loteria assim. Fred correu calmamente e soltou a bomba. A bola subiu muito e bateu no travessão (assista ao lance no vídeo ao lado). E o Botafogo continuava na frente.

Quatro tricolores, que estavam com uma faixa “Lutem até o fim!” nas cadeiras inferiores para incentivar os jogadores, pareceram desanimar após o pênalti perdido. Fred passou a ser insultado por alguns torcedores, mas por pouco tempo. O futebol encanta por conseguir transformar vilões em heróis em pouco tempo. Em cinco minutos, os torcedores voltaram a gritar com todo entusiasmo “O Fred vai te pegar!”.

Aos 27 minutos, Diguinho avançou como quis e cruzou. Antonio Carlos deu uma de “zagueiro-amigo” e escorregou. Falha fatal. Fred, sem pular, cabeceou no canto esquerdo de Jefferson para empatar a partida. O goleiro alvinegro só olhou a bola entrar. Na comemoração, o artilheiro correu para a torcida e parecia desabafar. A virada veio aos 32. Diguinho lançou Alan, que dominou na área e rolou rasteiro para Fred. O atacante dominou e girou sem ser incomodado por Fábio Ferreira. Chute rasteiro no canto direito, novamente sem chance para o camisa 1. O Fluminense virava a partida, e Fred marcava seu nono gol na temporada. E o quarteto tricolor das cadeiras inferiores voltou a balançar com todo orgulho a faixa “Lutem até o fim!” para os jogadores.

Alexandre Durão/GLOBOESPORTE.COM

Após perder um pênalti, o atacante Fred marca e corre para comemorar com a torcida do Tricolor

Diante de um Botafogo sem criatividade no meio-campo, o Fluminense dominava a partida. Conca também quase marcou em chute rasteiro que o goleiro Jefferson se esticou todo para defender. O jogo ficou duro. Foram seis cartões amarelos no primeiro tempo. Quatro para alvinegros e dois para tricolores. Mas faltava critério. Fahel acertou o tornozelo de Fred e não foi advertido. O Alvinegro se resumia a uma única jogada, justamente a bola aérea. Qualquer falta era chuveirinho contra o gol de Rafael. Não importava se era quase da intermediária. Todos os alvinegros corriam de encontro à defesa adversária, e a bola viajava longamente. Mesmo assim os tricolores sempre se enrolavam.

Aos 35 minutos, uma chance de ouro para o Botafogo empatar. Sandro Silva cruzou, e Rafael saiu mal. Loco Abreu ganhou do goleiro de cabeça, e a bola foi limpa para o zagueiro Antônio Carlos. Mas a cabeçada do jogador alvinegro foi para fora, por cima do travessão. Já aos 48 minutos parecia um replay. Falta na intermediária e chutão para a área do Fluminense. Herrera dominou com a ajuda dos dois braços e chutou forte. Bola na rede tricolor e gol bem anulado pelo árbitro. Péricles Bassols, porém, poderia ter expulsado o atacante argentino, que já tinha cartão amarelo.

Virada alvinegra pelo alto

O Botafogo voltou mais ofensivo para o segundo tempo. Caio e Edno entraram nos lugares de Túlio Souza e Sandro Silva, respectivamente. O jogo ficou mais aberto. Logo no primeiro minuto, Mariano arriscou de fora da área, a bola desviou e quase encobriu o goleiro Jefferson. A resposta veio em seguida. Mas o lance mostrou a limitação do Botafogo com a bola rolando. Em um contra-ataque em que tinha quatro alvinegros contra três marcadores, Herrera demorou para soltar a bola. O toque foi para Loco Abreu, que rolou para Caio. O Alvinegro deixou a defesa se recompor e foi desarmado.

O Fluminense era mais organizado, apesar de Conca estar bem marcado por Leandro Guerreiro. Alan teve a chance de ampliar para o Fluminense. Após passe de Fred, o atacante chutou com força por cima do travessão. Ao Botafogo restavam os cruzamentos. E o Fluminense facilitava. Abusava das faltas desnecessárias. Na primeira, Gum conseguiu cortar. Na segunda foi Fred. Mas na terceira aconteceu o empate. Aos 15 minutos, Edno cruzou para a área, a defesa do Fluminense não se achou, e Rafael ficou no meio do caminho só olhando. A bola sobrou para Fahel, que tocou fraco para o gol. Mas o chute foi bem colocado, e o goleiro tricolor não chegou. A bola nem chegou a estufar a rede. Tudo igual: 2 a 2.

Alexandre Durão/GLOBOESPORTE.COM

Jogadores dançam para comemorar o gol de Caio, o da classificação alvinegra à final da Taça Rio

E a virada só poderia ser de uma forma: bola alta para a área. Caio aproveitou a sobra após cobrança de escanteio e chutou de fora da área. O atacante Herrera, em posição de impedimento, abriu as pernas para fazer o corta-luz, participando da jogada e atrapalhando o goleiro Rafael, que só observou a bola entrar no canto direito. Péricles Bassols, apesar da enorme reclamação dos tricolores, validou o gol. Botafogo 3 a 2.

Em desvantagem, o Fluminense partiu para a pressão. Mas Fred já estava cansado, com as meias arriadas, e reclamava mais do que jogava. Conca tentava, mas não tinha direção nos chutes. Quando a bola ia para o gol, Jefferson salvava o Botafogo. Foi assim em excelente defesa num chute de Everton. O Glorioso está na final da Taça Rio, para a alegria de Joel Santana, que comemorou muito o fim da partida. Faltam 90 minutos para os alvinegros apagarem três anos de decepção (os vices em 2007, 2008 e 2009, todos para o Flamengo) e soltarem o grito de campeão.

Assista alvinegro os gols do FOGÃO contra p FLU: 3X2!

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BOTAFOGO 3 x 2 FLUMINENSE

Jefferson, Alessandro,  Antônio Carlos, Fábio Ferreira e Somália (Marcelo Cordeiro); Leandro Guerreiro, Fahel, Sandro Silva (Edno) e Túlio Souza (Caio); Herrera e Loco Abreu

Rafael, Leandro Euzébio (Wellington Silva), Gum e Cássio; Mariano, Diguinho, Everton, Conca e Julio Cesar (Marquinho); Alan (André Lima) e Fred

Técnico: Joel Santana

Técnico: Cuca

Gols: Loco Abreu, aos quatro, e Fred, aos 27 e aos 30 minutos do primeiro tempo; Fahel, aos 15, e Caio, aos 25 minutos do segundo tempo

Cartões amarelos: Leandro Guerreiro, Antônio Carlos, Tulio Souza e Herrera (Botafogo); Leandro Euzébio, Gun e Alan (Fluminense)

Cartão vermelho: Cássio (Fluminense)

Estádio: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ) Data: 10/04/2010 Árbitro: Péricles Bassols Cortez (RJ) Auxiliares: Ricardo Maurício Ferreira e Lilian da Silva Fernandes (RJ) Público: 23.445 presentes (16.029 pagantes) Renda: R$ 530.020

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